O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), disse neste domingo, 29, que irá ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para pedir que produtores de armas sejam proibidos de exportar esses produtos para Paraguai, Colômbia e Bolívia.

A medida, defende Witzel, é para evitar que armas continuem a ser contrabandeadas para o Brasil. Ele usou a usar a palavra “retaliação” ao detalhar o que deveria ser feito contra esses três países.

Em entrevista coletiva na área VIP do Rock in Rio, Witzel chegou a falar em fechamento de fronteira com o Paraguai. O governador disse já ter pedido o apoio do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, a essa iniciativa, mas ressaltou que irá à ONU mesmo se não tiver o respaldo do governo federal.

Wilson Witzel afirmou também que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, responsáveis pela investigação do tráfico internacional de armas e de drogas, estão “em débito” com a sociedade brasileira. Para ele, a oposição, que critica sua política de segurança, deveria também se engajar na luta contra esse tipo de contrabando.

A lição de Ágatha

Enquanto a filosofia “tiro na cabecinha” de Witzel produz tragédias como a morte da menina inocente, políticas na direção contrária reduzem a criminalidade

Ágatha acalentava sonhos comuns a crianças de sua idade, quando as opções costumam ser muitas e não excludentes. Queria ser médica, bailarina e modelo.

Já as preocupações que rondavam sua cabeça não eram muito comuns para uma garota de 8 anos — exce­to para a parcela de jovens que moram nas áreas mais carentes do Rio de Janeiro. Os constantes tiroteios que ocorrem no Complexo do Alemão, onde vivem cerca de 70 000 pessoas, a obrigavam a cancelar aulas (adorava balé, xadrez e inglês).

SONHO E PESADELO – Ágatha, que queria ser bailarina: “Mãe, pede para eles pararem de atirar na gente” (Álbum de família/.)

Eles faziam ainda com que sua família volta e meia saísse da sala e dos quartos para se esconder no banheiro da casa. Ela também costumava se deitar no chão sempre que helicópteros da polícia sobrevoavam a favela. Dois dias antes de ser assassinada, uma dessas operações terminou com seis mortos e dois feridos, entre eles um PM. “Uma vez ela me disse: ‘Mãe, pede para eles pararem de atirar na gente’  ”, conta Vanessa Francisco Sales.

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