Informação da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, fornecida a pedido do EXTRA, contradiz versão apresentada pela deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSD) ao comparecer no Conselho Tutelar, nesta segunda-feira, para dar explicações sobre uma adoção irregular.

Segundo o órgão, não há, na Vara de Infância de Niterói, qualquer processo de adoção da adolescente mantida pela deputada em sua casa em situação irregular e tratada como filha.

Flordelis afirmou, no Conselho Tutelar do Largo da Batalha, em Niterói, que deu entrada no processo de adoção da jovem em 2014, um ano após ela ter chegado em sua casa. O caso, segundo Flordelis, ainda não teria sido julgado, mas ela afirma ter a guarda da menina. A assessoria do TJ informou que o último processo de Flordelis na Vara de Infância de Niterói é de 2012.

A deputada mora com a família em Niterói há mais de dez anos. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, as ações de guarda e adoção de menores devem ser propostas no fórum do local de moradia dos responsáveis ou onde a criança estiver. A jovem mora com Flordelis desde que chegou na casa.

Nessa segunda-feira, Flordelis esteve no Conselho Tutelar, mas não apresentou qualquer documentação que comprove ter a guarda ou adoção da adolescente, conforme alegado por ela. A deputada se comprometeu a entregar os documentos na próxima segunda-feira. Ao deixar o local, onde permaneceu por mais de duas horas, Flordelis afirmou ao EXTRA que a situação da menina estava regularizada.

— A situação da minha filha está bem clara. Já dei entrada no Juizado de Menores. Vou trazer segunda-feira os documentos para apresentar. Já dei entrada no processo — afirmou a parlamentar.

Procurada pelo EXTRA no início da manhã desta terça-feira, a assessoria de imprensa da deputada federal ainda não se posicionou sobre as informações fornecidas pelo Tribunal de Justiça.

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No Conselho Tutelar, Flordelis admitiu ter poucas informações sobre a origem da adolescente. Ela relatou que a jovem chegou em sua casa há seis anos, levada por um amigo que trabalha na gravadora MK Music, com a qual ela possui contrato. Segundo Flordelis, a menina vivia nas ruas com o avô. A parlamentar alega que tentou encontrá-lo para descobrir mais dados da jovem, mas não teve sucesso.

Na próxima segunda-feira, a menina será ouvida no Conselho Tutelar. Caso Flordelis não apresente a documentação, o Conselho Tutelar encaminhará uma Notícia de Fato ao Ministério Público para informar sobre a situação.

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