Voluntariado com sotaque brasileiro

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Setembro 2017. Como em uma cena de filme catástrofe, as prateleiras dos supermercados ficaram vazias, as lojas de materiais de construção entupidas com pessoas desesperadas para comprar placas de madeira e longas filas de carros se formaram nos postos de combustível. Afinal, todos se preparavam para enfrentar a chegada anunciada do furacão Irma, que preocupava com previsões cada vez mais assustadoras.

Quer dizer, todos não. Sempre há um grupo de pessoas desprevenidas que deixa tudo para a última hora e aquelas que são desvalidas e simplesmente não têm como se proteger. Pois foi exatamente pensando nesta parcela da população, formada sobretudo pelos brasileiros que vivem no sul da Flórida, que surgiu a VER (Volunteer Emergency Relief), criada pelos empresários Fred Martins e Gustavo Couto. “Na verdade, a VER nasceu por acaso. Ela foi criada no meio da temporada ao percebermos que nossa comunidade, na grande maioria, nunca havia passado por um furacão”, explicou Fred. Eles começaram mostrando vídeos educacionais que viralizaram com mais de dois milhões de acessos. Resolveram então alugar uma pick-up truck, colocar algumas caixas de água e sair para ver se poderiam ajudar alguém. Uma coisa foi ligando-se à outra e quando perceberam já não havia mais como recuar. “Começaram a chegar doações e muitas pessoas queriam ajudar com dinheiro. Como legalmente não podíamos receber, resolvemos registrar-se oficialmente e criar a VER, uma ONG que tem dois focos:  Educacional, antes da temporada, e como agir antes, durante e depois da tempestade”, contou o empresário.

Até eles ficaram surpresos com a rapidez em que conseguiram o reconhecimento como entidade com certificado de non-profit organization, algo que normalmente leva tempo. “Não tem explicação, aliás tem, foi Deus. O que geralmente pode levar até um ano, saiu em 15 dias. Um verdadeiro milagre”, exulta o homem cheio de fé.

E o milagre da multiplicação também se fez presente durante as tormentas de 2017, como destacou o próprio Fred: “Em parceria com a Global Assistence Foundation e com o Rotary Club de Boca Raton West, conseguimos mais de 200 mil dólares em doações, foram distribuídas 3.200 refeições que alimentaram várias famílias na região de Pompano Beach, servimos café, almoço e jantar durante uma semana. Comida de primeira qualidade, bem brasileira e caseira, e não faltou carne um dia sequer. Ainda distribuímos 2.200 cestas básicas que alimentaram uma família de até quatro pessoas por sete dias. Estas cestas chegaram até Key West e Porto Rico”.

Espírito solidário

Claro que eles não poderiam fazer tudo sozinhos. E mais uma vez o espírito de solidariedade dos brasileiros se manifestou de maneira efetiva, com mais de 200 pessoas participando de forma direta revezando-se em três turnos. Indiretamente, no entanto, foram milhares, por ter movimentado a comunidade brasileira de Miami até Orlando. “O bonito foi constatar que não teve bandeira de entidade nenhuma neste movimento e incrível ver a união de todas raças, tribos, religiões e países. Foi marcante esta união de forças”, exultou o empresário, que destacou também o apoio de várias empresas, com doações, e material para operar a linha de produção para montagem das caixas. E o Banco do Brasil abriu suas portas para recolher doações durante todo o mês. Foi incrivel.”

A VER não vai concentrar-se apenas em atuar durante catástrofes no sul da Flórida. “Nossa intenção é buscar outras emergências. Como fome no mundo, começando pelo Haiti e, quem sabe, chegando ao Brasil. Sabemos que não podemos resolver o problema do mundo, mas podemos resolver o problema de uma pessoa. Este é o nosso foco, uma pessoa de cada vez”, ensinou. E esta corrente de solidariedade promete se alastrar para todos os lugares, segundo Fred. Embora tenham interesse em ampliar a área de atuação, por enquanto, vão se concentrar mais na Flórida, onde já está montada a estrutura.

É importante ressaltar que essa operação somente foi bem sucedida porque todos são voluntários em tudo que precisar. Muitos ainda contribuem financeiramente. Este foi o espírito com o qual a VER foi criada.

No ano passado, tiveram apoio para chegar a KeyWest de vários órgãos do governo dos Estados Unidos. Após o espaço aéreo ter sido liberado, uma equipe da VER estava no primeiro avião a descer em Key West para fazer o levantamento. Contaram ainda apoio do Corpo de Bombeiros e com ajuda primordial de Wilson Gouveia, integrante da SWAT de Hollywood que passava informações diretamente do QG das operações.

Para Fred, é importante aumentar o número de voluntários. “Qualquer pessoa pode nos ajudar e participar. Nem precisa enviar dinheiro ou doações. Uma maneira de participar é registrando a VER como ONG de preferência na Amazon. Isso pode ser feito no link www.smile.amazon.com. Assim, todas as compras feitas através deste link possibilitará à VER receber de volta 0.5% do valor das compras. Mas há um detalhe importante: tem de ser feita através do link SMILE, porque, se for feita no site direto da Amazon, não recebemos nada. Temos mais informações sobre como todos podem participar em nosso website www.VERelief.org. Volunteer Emergency Relief, nosso nome já diz tudo”, finalizou o orgulhoso Fred Martins.



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