Trump mais uma vez busca urgência na reforma imigratória após ataque

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Trump quer reforma migratória após ataque em Nova York
Trump quer reforma migratória após ataque em Nova York

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que o ataque em Nova York evidencia a necessidade urgente de que o Congresso aprove a reforma migratória.

O suspeito da explosão em Nova York, Akayed Ullah, mora no país desde 2011 com um visto de residência permanente (green card) por ser parente de um cidadão americano. Num comunicado, Trump defendeu seu veto migratório a cidadãos de oito países, que a Suprema Corte americana recentemente permitiu entrar completamente em vigor, e pediu o fim da migração em cadeia.

“Primeiro e mais importante, como disse desde que anunciei minha candidatura à Presidência, os Estados Unidos devem reformar seu permissivo sistema migratório, que permite que pessoas inadequadas e perigosas entrem no nosso país”, disse Trump numa declaração. “A minha ação executiva para restringir a entrada de certos nacionais de oito países, que a Suprema Corte permitiu recentemente ter efeito, é apenas um passo em frente para garantir o nosso sistema de imigração. O Congresso deve acabar com a migração em cadeia.”

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, também defendeu a proposta de reforma migratória de Trump após o atentado.

— Esse ataque mostra a necessidade do Congresso trabalhar com o presidente nas reformas de imigração que aumentam a segurança nacional e pública. Devemos proteger nossas fronteiras e certificar que indivíduos que entrem no nosso país não venham para causar danos ao nosso povo. Devemos ter um sistema de imigração baseado no mérito — disse Sanders.

O suspeito jurou fidelidade ao Estado Islâmico enquanto era interrogado pelas autoridades, de acordo com a CNN com informações de uma fonte ligada à investigação. Ullah escolheu o local por causa da decoração natalina, inspirado nos ataques na Europa contra mercados de Natal. O autor do ataque disse aos investigadores que as ações militares israelenses em Gaza eram o motivo pelo qual ele realizou o ataque desta manhã na cidade e afirmou que agiu por vingança.

O ex-motorista de táxi detonou um dispositivo explosivo perto do movimentado terminal de ônibus de Port Authority. A explosão num túnel do metrô perto da Times Square na manhã desta segunda-feira feriu três pessoas, e segundo o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, foi uma tentativa de ataque terrorista.

— Eles bombardearam meu país e eu queria causar danos aqui — ele disse, segundo fontes do “New York Post”, a autoridades em sua cama de hospital.

Ullah, de 27 anos, está sob custódia da polícia e é natural de Bangladesh. Segundo o chefe de polícia de seu país de origem, ele não tinha antecedentes criminais. O suspeito agora recebe atendimento médico num hospital para queimaduras nas suas mãos e abdômen e outros ferimentos. Os outros três feridos sofreram apenas de ferimentos leves.

Segundo James O’Neill, comissário do Departamento de Polícia de Nova York, o terrorista, morador do Brooklyn, carregava os explosivos amarrados ao seu corpo. O homem teria detonado parcialmente o dispositivo, que ele carregava no lado direito de sua jaqueta, segundo o jornal. Ele acionou a explosão antecipadamente na passagem de metrô no subsolo do terminal de ônibus por volta de 7h40 da manhã (horário local).

Segundo as autoridades, o suspeito explodiu um dispositivo de pouco refinamento tecnológico para tentar provocar um atentado de grandes proporções, mas não conseguiu.

— Nossas vidas giram em torno do metrô — disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. — A escolha da cidade é sempre por uma razão, porque nós somos um farol para o mundo. Nós mostramos que uma sociedade com muitas religiões e experiências pode funcionar. Os terroristas querem enfraquecer isso.

Agentes do FBI e policiais revistam três apartamentos no Brooklyn ligados ao suspeito, incluindo o local onde ele pode ter montado seu dispositivo explosivo, segundo o “New York Post”. Membros da Força-tarefa conjunta de terrorismo procuram por evidências como computadores, telefones e outros tipos de dispositivos eletrônicos que poderiam dar mais informações sobre o ataque.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, pediu o aumento de segurança no estado em locais como aeroportos, pontes, túneis e meios de transportes. Para Cuomo, não importam quais motivos o suspeito tenha citado, e sim que sua raiva o levou a uma situação extrema.

— Sempre teremos pessoas com raiva — afirmou Cuomo à CNN.

Segundo a CNN, Ullah disse à polícia que fez o dispositivo em seu trabalho, mas ainda não está claro se ele tem um emprego. Ullah agora recebe atendimento médico num hospital para queimaduras nas suas mãos e abdômen e outros ferimentos. Os outros três feridos sofreram apenas de ferimentos leves.

Já o “New York Post” diz que o terrorista detonou a bomba caseira numa passagem de pedestres perto do terminal Port Authority, que serve a mais de mais de 230 mil de pessoas a cada dia na metrópole americana. As composições passam direto da plataforma e da estação da Times Square nesta manhã. Os serviços serão retomados nas próximas horas, segundo as autoridades, e não há outras ameaças.

Em entrevista coletiva, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, chamou a tentativa de ataque de “assustadora e perturbadora”. Ele ponderou que a cidade deve estar consciente de que é um alvo internacional do terrorismo, por simbolizar a democracia e a liberdade, e que a ameaça aumenta com a divulgação de propaganda extremista pelas redes. As autoridades, no entanto, não quiseram dizer se o responsável pela explosão tem conexões com o Estado Islâmico (EI).

— Somos um alvo internacional — disse Cuomo. — Hoje, qualquer um pode acessar a internet e baixar qualquer lixo. Não vamos permitir que eles nos perturbem. É exatamente o que querem.

No fim de outubro, um homem de origem uzbeque supostamente desviou uma caminhonete para uma ciclovia repleta de ciclistas e pedestres no sul de Nova York, derrubando as pessoas em seu caminho antes de atingir a lateral de um ônibus escolar. Oito pessoas morreram, e 11 ficaram feridos, no que se tornou o ataque mais mortal realizado na cidade de Nova York desde o 11 de setembro de 2001, quando suicidas sequestraram dois aviões de passageiros e os lançaram contra o World Trade Center, matando mais de 2.600 pessoas.

O Globo / Agências Internacionais

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