Seleção – Os 10 melhores álbuns de 2017 segundo o Super Gospel

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A música evangélica em 2017 mergulhou ainda mais na onda do digital. Nunca tantos artistas optaram por singles e, no máximo, EPs, para garantir novidades. Apesar das formas de veiculação se tornarem menos artesanais e mais passageiras, as obras de destaque correram contra a maré ao aprofundar seus próprios gêneros. Em um ano conturbado em esfera mundial, o discurso político-social atingiu em certa medida artistas distantes entre si, como Thiago Grulha e Rayssa & Ravel. À medida que nomes como Daniela Araújo, Hélvio Sodré, Projeto Sola e ternoesaia se confirmaram como fundamentais para se entender a contemporânea música cristã, cada vez mais alternativa, nomes mais populares como Jotta A e Nádia Santolli procuraram declarar identidade no ecletismo. Confira os 10 melhores álbuns de 2017, conforme seleção da equipe do Super Gospel.




10. Doze – Daniela Araújo


Som Livre



Longe de ser perfeccionista e equilibrada como em seus registros anteriores, Daniela Araújo nunca se mostrou tão instável em Doze. E é justamente a característica que lhe mais desqualifica como obra é que a engrandece. O registro é o mais pessoal e experimental álbum da artista paulista, e encontra no eletropop suas visões acerca da caminhada cristã, de suas inclinações amorosas e, principalmente, dos períodos pessoais de dor. Em meio aos excessos, Doze é o reflexo de crises em canções. (análise)



Avaliação: ★★★★☆



Para ouvir: Junho, Julho e Dezembro




9. O Seu Amor É Tudo – Nádia Santolli


Sony Music Brasil



Tendo dominado bem a linguagem tanto do pop e do congregacional em Antes do Sol Nascer (2005) e Por Toda Parte (2008), discos obrigatórios para quem deseja se aprofundar nos anos 2000, Nádia Santolli se sai se forma consideravelmente espontânea em seu primeiro disco em praticamente uma década. Os riffs de guitarra em "Aleluia" revigoram o padrão de baladas da artista, enquanto temperos de jazz em "Verdadeiro Amor" e o cover de "Teus Altares" deixam claro que a intérprete, assim como exposto no design de capa, quis mostrar versatilidade em seu repertório. (análise)



Avaliação: ★★★★☆



Para ouvir: Verdadeiro Amor, Aleluia e Bendito




8. Recomeçar – Jotta A


Independente



Jotta A sempre prezou pelo exagero em suas obras. Enquanto Essência (2012) e Geração de Jesus (2013) mergulhavam numa loucura infantojuvenil e pouco consciente de seus limites vocais e estéticos, em Recomeçar o cantor abraça os males e os bens de sua identidade musical e as direciona num discurso pentecostal atrelado ao aparato black dos produtores musicais Jeziel Assunção e William Augusto. O resultado é um disco que, embora possa não agradar os mais alternativos, faz da volta de Jotta algo impossível de se ignorar. (análise)



Avaliação: ★★★★☆



Para ouvir: A Reforma, Cante Outra Vez e Maravilhoso




7. Prelúdio para o Deus Homem – Stênio Marcius


Independente



Após as inclusões elétricas promovidas por Felipe Silveira e Diego Venâncio em Está Consumado (2015), Stênio Marcius retornou ao som delicado em um disco tomado pelo protagonismo de seu violão e voz. O registro trabalha muito bem a contradição de tratar, com tamanha intimidade, um ser divino grande que se fez pequeno e próximo de sua criatura, com as habilidades técnicas de uma produção sofisticada, cuja sonoridade é orgânica e artesanal. (análise)



Avaliação: ★★★★☆



Para ouvir: Prelúdio para o Deus-Homem, Você nem Percebe e Teu Nome




6. Som e Silêncio – Hélvio Sodré


Sony Music Brasil



Carregadamente autoral e sustentado sob cordas de violão, Som e Silêncio é um enorme amadurecimento de Hélvio Sodré em linhas de incerteza. As composições do cantor declaram confiança na soberania divina ("Habacuque 3" e "Paraíso"), ao mesmo tempo que não se dissocia totalmente das guitarras juvenis de Polo (2011). A ponte é feita por meio de faixas mais pulsantes, como a empolgante "70×7" e a carro-chefe "Astronauta". (análise)



Avaliação: ★★★★☆



Para ouvir: Astronauta, Habacuque 3 e Paraíso




5. Volume Dois – ternoesaia


Independente



O quarteto paulista melhora suas pretensões nas tentativas indie em seu segundo trabalho – que conta com o reforço de Paulo Anhaia na mixagem. O vaudeville "Laodicéia" é a canção mais imponente e criativa do ano graças ao entrosamento da cozinha e a doçura vocal de Bruna Santos. O aspecto rock da obra melhora consideravelmente, mas os grandes momentos ainda se aproximam de gêneros de blues e MPB, como o single "Incauto Azul" e a solar "Lâmpada". (análise)



Avaliação: ★★★★☆



Para ouvir: Nevoeiro, Laodicéia e Incauto Azul




4. 500 – Sola


Independente



Os 500 anos de Reforma Protestante comemorados em outubro deste ano não foram esquecidos por Guilherme Andrade e Guilherme Iamarino que, com 500, expandiram os territórios folk já introduzido com o notório Volume 1 (2016). O projeto mergulha no pensamento de filósofos da fé, como Santo Agostinho, e textos bíblicos, para cumprir o objetivo de apresentar belas canções de violões engajadas num ideal músico-teológico. (análise)



Avaliação: ★★★★



Para ouvir: Confissões, 23 e Canção de um Certo Pedro




3. Tão Perto e eu não Vi – Thiago Grulha


Salluz Productions



Conhecido por suas poesias, Thiago Grulha tece seus versos em uma produção encabeçada pelo cantor Paulo César Baruk (que, neste ano, se destacou pelo bom, mas não-inédito, Piano e Voz 2). Em suas doze canções, embaladas por gêneros como o pop, folk, e até elementos sutis de soul e jazz, o artista reflete sobre questões ordinárias e extraordinárias da vida, como forma de conciliar as relações humanas e a relação do homem com Deus. (análise)



Avaliação: ★★★★



Para ouvir: Tão Perto e eu não Vi, Falem e Pra Eles e Pra Todo Mundo




2. Feliz Demais – Rayssa & Ravel


Graça Music



O que considerar quando uma dupla sertaneja decide produzir um disco sobre depressão? O tema é urgente, mas de imenso tabu no cenário evangélico. Mesmo assim, Rayssa & Ravel apresentaram uma obra a qual utiliza-se das linguagens das gerações romântica e universitária para sinalizar que problemas de humor deprimido não só simplesmente comuns nos dias de hoje, mas podem ser refletidos por meio de um gênero tão criticado por sua "massificação". Feliz Demais é um manual musical de antipreconceito: Os sertanejos, como produtores de arte, também têm algo a dizer. (análise)



Avaliação: ★★★★



Para ouvir: Perfil de Adorador, Uma Carta para Deus e Leva Eu




1. No Seu Quintal – Resgate


Sony Music Brasil



Resgate é a banda mais prolífica e relevante da década de 2010, e com No Seu Quintal consegue superar a lacuna de teclados provocada pela saída de Dudu Borges em 2012. Na mesma consciência pop de Ainda não É o Último (2010), o novo disco da banda combina referências dos anos 1960 e 1970 com a sagacidade crítica de seu principal letrista, o vocalista Zé Bruno. O olhar de maturidade e autocrítica da banda a faz provocar reflexões acerca do que são como cristãos e seres humanos em um cenário contemporâneo de tensões políticas e econômicas. (análise)



Avaliação: ★★★★



Para ouvir: História, Por que Você não Sai? e Lágrimas




Seleção: Gledeson Frankly, Thiago Junio e Tiago Abreu



Texto e edição: Tiago Abreu





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