Palestino é morto no ‘dia de fúria’ após anúncio de Trump sobre Jerusalém

45
Palestino é morto no 'dia de fúria' após anúncio de Trump sobre Jerusalém
Palestino é morto no 'dia de fúria' após anúncio de Trump sobre Jerusalém

Milhares de palestinos entraram em confronto nesta sexta-feira (8) com as forças israelenses, deixando dezenas de feridos e um morto, depois do reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como a capital de Israel originar protestos na Cisjordânia, em Gaza e na Cidade Santa.

Dezenas de milhares de pessoas também se manifestaram em diferentes países muçulmanos, do Irã à Malásia. Em todas as partes, os manifestantes queimaram e pisotearam fotos do presidente americano, Donald Trump.

As manifestações não são maciços nos Territórios Palestinos e no mundo muçulmano, mas os protestos alimentam o temor da comunidade internacional de que Trump tenha aberto a caixa de Pandora.

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta sexta-feira em Nova York.

A ONU está “muito preocupada com os riscos de uma escalada da violência” na região, disse o coordenador especial da ONU para a Paz no Oriente Médio, Nikolai Mladenov, ante o Conselho de Segurança em um vídeo de Jerusalém.

Rejeitando “os sermões e lições”, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, repetiu que Trump “não tomou posição sobre os limites ou as fronteiras” e que o “status quo se mantém nos lugares santos”. Reiterou também que os Estados Unidos continuam comprometidos com o processo de paz.

Virando as costas para décadas de diplomacia americana e internacional, Trump reconheceu unilateralmente na quarta-feira Jerusalém como a capital de Israel e anunciou a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para esta cidade. O secretário de Estado, Rex Tillerson, explicou que a mudança não será realizada antes de dois anos.

– Um morto –

Em diferentes cidades da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel, como em Belém, Hebron, Jericó e perto de Nablus, dezenas de manifestantes, muitos deles jovens com o rosto coberto por panos, jogaram pedras em soldados israelenses que responderam com disparos de balas de borracha e munições letais, assim como bombas de gás lacrimogêneo

Na Faixa de Gaza, Mahmud al-Masti, de 30 anos, morreu alvo de disparos de soldados israelenses a leste de Khan Yunis quando participava de um protesto perto da barreira de segurança que fecha o enclave palestino, disse o Ministério da Saúde de Gaza.

Outro palestino, de cerca de 20 anos, atingido por uma bala na cabeça em circunstâncias similares, se encontra em estado grave, segundo a mesma fonte.

As autoridades palestinas falam em dezenas de feridos por balas de borracha ou por munição letal.

Em Jerusalém houve violentas confusões entre manifestantes e a Polícia israelense, dentro e ao redor da Cidade Velha.

– Centenas de policiais –

Ao cair da noite, o sistema antiaéreo israelense interceptou um foguete lançado da Faixa de Gaza para Israel.

Israel mobilizou centenas de policiais e soldados em Jerusalém e na Cisjordânia.

Jerusalém e a Esplanada das Mesquitas, terceiro local santo do Islã, também venerado pelos judeus como o Monte do Templo, cristalizam as tensões entre israelenses e palestinos.

Israel estendeu seu controle à parte oriental de Jerusalém em 1967 e a anexou para depois proclamar toda a cidade como sua capital, o que a comunidade internacional nunca reconheceu.

Os palestinos querem fazer de Jerusalém Oriental a capital do Estado ao qual aspiram.

Os dirigentes palestinos consideram que a decisão americana condiciona as negociações sobre o estatuto de Jerusalém, uma das questões mais delicadas na busca de uma solução ao conflito entre israelenses e palestinos.

Segundo eles, aquele que assumiu o cargo proclamando sua vontade de alcançar um acordo diplomático para a paz não pode mais assumir o papel histórico dos Estados Unidos como mediador no processo de paz.

– ‘Jerusalém é a capital da Palestina’ –

“Pouco importa o que acontece”, disse Omar, de 20 anos, ao se dirigir à oração na Esplanada das Mesquitas. “Todos sabemos que Jerusalém é a capital da Palestina e não de Israel. Israel é uma potência ocupante”.

Israel, que proclama que Jerusalém é sua capital “eterna e indivisível”, agradeceu sem demora as declarações de Trump, mas a nível internacional continua provocando rechaço

Desde a criação de Israel, em 1948, a comunidade internacional nunca reconheceu Jerusalém como capital e sempre considerou que o “estatuto final” da Cidade Santa deveria ser negociado.

O grande imã de Al Azhar, influente instituição do Islã sunita estabelecido no Cairo, cancelou um encontro previsto com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, em uma visita que ele deve fazer ao Egito em 20 de dezembro.

Um encarregado do Fatah, o partido palestino mais importante, afirmou que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, não receberá Pence em sua próxima visita à região.

AFP

Facebook Comments

criação de site