Marconi Perillo tem prisão decretada

99
Marconi Perillo corre o risco de ir pra a cadeia

Operação prendeu o coordenador de campanha do atual governador de Goiás, José Eliton, candidato à reeleição. Investigação apura propinas para agentes públicos de Goiás, relatadas na delação da Odebrecht.

Marconi Perillo corre o risco de ir pra a cadeia
Marconi Perillo corre o risco de ir pra a cadeia


Time4VPS.EU - VPS hosting in Europe

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (28) uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás e candidato ao Senado.

Como parte da operação, chamada de Cash Delivery, a PF prendeu Jayme Rincón, coordenador de campanha do atual governador de Goiás e candidato à reeleição, José Eliton (PSDB).

Também foi preso o motorista de Rincón, o policial militar Márcio Garcia de Moura. Com ele a polícia encontrou maços de dinheiro vivo.

Jayme Rincón foi preso em operação da Polícia Federal, em Goiânia — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

Em nota, o advogado de Perillo, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse que a defesa repudia a operação e que não há “qualquer fiapo de indício” contra o ex-governador (veja a nota na íntegra ao final desta reportagem).

O governador José Eliton passou a manhã reunido com a cúpula do PSDB, em seu gabinete, no Palácio das Esmeraldas. A reunião ocorreu a portas fechadas, e ele não deu declarações à imprensa.

Palácio das Esmeraldas, onde o governador de Goiás, José Eliton, participava de reunião com a cúpula do PSDB após prisão do coordenador da campanha dele à reeleição — Foto: Murillo Velasco/G1

Ao todo a operação tem 14 mandados de busca e apreensão e 5 de prisão temporária. Os mandados foram autorizados pela 11ª Vara de Justiça Federal em Goiás nas cidades de Aparecida de Goiânia, Pirenópolis e Aruanã, em Goiás, e em Campinas e São Paulo.

A Cash Delivery apura repasses indevidos para agentes públicos em Goiás, com base nas delações premiadas de executivos da Odebrecht. Os valores investigados são de R$ 12 milhões.

PF apreende dinheiro na casa de motorista de Jayme Rincón durante operação em Goiânia

Candidato ao Senado, Perillo aparecia com 29% das intenções de votoem pesquisa Ibope do dia 21 de setembro. O ex-governador de Goiás se tornou réu no início de setembro por corrupção passiva.

No pedido para autorização dos mandados, a PF afirmou que não solicitou a prisão de Perillo por causa da lei eleitoral. A legislação determina que candidatos não podem ser presos 15 dias antes do pleito, a não ser em flagrante. Esse prazo começou a contar no dia 22 de setembro.

O G1 tentou contato ao longo da manhã, por meio do escritório de advocacia e do celular, com o ex-policial militar e advogado Pablo Rogério de Oliveira, sem sucesso. A reportagem também enviou e-mail, às 11h54, solicitando informações sobre o suposto envolvimento dele com o esquema.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Goiás disse que foi informada da prisão.

“A Ordem tem por regra acompanhar toda ocorrência envolvendo seus inscritos por meio de sua Comissão de Direitos e Prerrogativas. Antes de tudo, para assegurar o respeito às suas prerrogativas profissionais. Depois, para certificar-se de que será punido em caso de comprovação de culpa, observando sempre o devido processo legal, contraditório e amplo direito de defesa, garantias que assistem a todo cidadão, não apenas aos advogados.”

G1 não conseguiu localizar a defesa do policial militar Márcio Garcia de Moura, que foi apontado pelos investigadores como motorista de Jayme Rincón e na casa de quem foram encontrados maços de dinheiro vivo. A reportagem também não encontrou perfis dele em redes sociais.

Em nota, a assessoria de comunicação social da Polícia Militar informou que “todas as providências legais serão adotadas em decorrência da operação desencadeada pela Polícia Federal, na manhã de hoje (28), no tocante ao possível envolvimento e prisão de um integrante da Polícia Militar”.

Após PF deflagrar operação, Marconi Perillo diz em vídeo que assunto é `requentado’
Anhanguera Notícias

Após PF deflagrar operação, Marconi Perillo diz em vídeo que assunto é ‘requentado’

Segundo a PF, eles poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

G1 procurou, às 8h33 e às 12h19, a Agência Goiânia de Transportes e Obras (Agetop), que era presidida por Jayme Rincón, mas não obteve respostas até o momento.

Dinheiro apreendido com motorista de Jayme Rincón na operação Cash Delivery — Foto: Reprodução

Investigações

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Perillo, quando ainda era senador e depois como governador, pediu e recebeu propina para favorecer a Odebrecht em contratos e obras em Goiás. Os valores, segundo as investigações, foram de R$ 2 milhões em 2010 e R$ 10 milhões em 2014.

O MPF informou ainda que a operação desta sexta tem o objetivo de rastrear o destino da propina.

Operações durante a campanha eleitoral

Desde o início de setembro, candidatos nas eleições foram alvo de operações policiais e ações do Ministério Público. O corregedor nacional do MP determinou a apuração das condutas de promotores que apresentaram ações contra os candidatos à Presidência Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

No dia 4 de setembro, Haddad foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro em suposto pagamento de dívida da campanha de 2012. Na ocasião, a assessoria de Haddad disse estar surpreso com a denúncia em período eleitoral, afirmando que o delator do caso teve delações negadas pela Justiça.

Alckmin se tornou alvo de uma ação do Ministério Público por improbidade administrativa por caixa dois. O MP acusa Alckmin de ter recebido R$ 7,8 milhões da Odebrecht na campanha de 2014. Questionado, o candidato diz que não havia fato novo, mas apenas uma conclusão equivocada e um comportamento inusual do promotor, que sugere algo que não existe.

No dia 11 de setembro, o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foi preso em uma operação que investiga o programa do governo estadual Patrulha do Campo, que faz a manutenção de estradas do Paraná. Richa foi solto quatro dias depois, quando conseguiu um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Reinaldo Azambuja (PSDB), governador de Mato Grosso do Sul, foi alvo de operação da PF no dia 12 de setembro. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Azambuja, que é candidato à reeleição. A operação investiga o suposto pagamento de propina a integrantes do governo de MS em troca de créditos tributários a empresas.

 

 

Facebook Comments

criação de site