Janires um dos compositores e poetas da musica cristã morria a 30 anos atrás.

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Em 11 de janeiro de 1988, Janires, vocalista da banda Azul e ex-integrante do Rebanhão, falecia em Três Rios durante uma viagem. Cantor, compositor, violonista, produtor musical e arranjador, o músico deixou uma obra considerável em quase dez anos de carreira.

Seus primeiros passos no mercado fonográfico se deu pelo Rebanhão, banda pela qual ganhou notoriedade nacional. Os discos Mais Doce que o Mel (1981) e Luz do Mundo (1983) trouxeram composições como “Casinha”, “Taças de Cristais”, “Baião”, “Hoje Sou Feliz”, “Mel”, dentre outras, que revelavam influências da música popular brasileira e bandas de rock como Os Mutantes, Beatles e Genesis.

Entre sua saída do Rebanhão e a fundação da banda Azul, o músico ainda lançou pela banda um raro single de natal com “Paz pra Cidade”, “Menino Passarinho” e “Natal É Boas Novas”, além do disco ao vivo Janires e Amigos, gravado em dezembro de 1984. Mais do que o único registro solo de Janires, é o primeiro álbum ao vivo da história nacional da música evangélica, e trouxe participações de João Alexandre, Ed Wilson, Marcos Góes, além de Carlinhos Felix, Pedro Braconnot e Kandell, integrantes do Rebanhão.

A obra de Janires foi além de canções. Por sua influência, surgiu o festival Som do Céu, um dos mais tradicionais do cenário cristão. O cantor também ficou conhecido por seu desapego material e financeiro, revelado em histórias contadas por contemporâneos de sua época que, seja pelas parcerias, marcaram suas trajetórias. Carlinhos Veiga relembrou, em um texto, as situações curiosas e a dor de ter perdido o músico e o ser humano.

O canto do cisne de Janires foi Espelho nos Olhos, lançado meses após sua morte, em 1988. A faixa-título, “Espelho nos Olhos”, é talvez o melhor registro poético da vida de um homem cuja vida, desde a conversão, dedicou sua vida em andanças pelo país em prol de uma causa que perpassava suas canções. A obra de Janires, que hoje permanece como um dos gênios da música evangélica nacional, mantém o olhar direcionado ao céu, num tom de saudade tão legítimo quanto a vida de quem partiu cedo do lado de cá.

Super Gospel

 

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